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Incógnita

Anjos do Acaso

Diziam ele não andava bem vestido
No passado ele era divertido rindo
Passeava por rodas de amigos
Conversava atento, solícito e sorrindo

Sempre vi que ele via algo a mais
Mas nunca vi ele demonstrar
Era sutil, quase infantil o manejar
De como escondia entre risos o olhar

De longe alguns diziam: Ele é estranho
Mas poucos viam o que ele escondia
Nada ilegal, imoral, coisa desse tamanho
Só o peso de algo que só ele via

Sempre vi que ele via demais
Se ligava em coisas espaciais
Um dia de nuance, não sei se querer
Ele pareceu falar, transparecer

Ele não se vestia como o mundo normal
Não casava com nenhuma classe social
Não tinha medo ou não deixava transparecer
Era como não humano, mas não podia ser

Ele se deslocava por variações infinitas
Se adequava com dificuldades repetidas
Era moldável, com a dor ele se acostumava
Adaptável, dinâmico, mudava, nada te abalava

Sempre vi que ele via algo a mais
Mas nunca vi ele demonstrar
Era sutil, quase infantil o manejar
De como escondia entre risos o olhar

Então numa tarde de uma certa vez
Num dia comum, igual, normal, trivial
Eu o olhava e via algo que ele fez
Escreveu à mão no rodapé do jornal

Deixou em cima da mesa de um bar
Saiu sorrindo, a me olhar quase um lê-lá
Em caneta escreveu: Acordei cedo demais
E não acompanhei o ritmo do mundo nos jornais
E me contentei apenas com os comerciais

Escrita por: Paulinho Andrade / Anjos do Acaso. ¿Los datos están equivocados? Avísanos.

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