
A Queda de Solveig
Astrikos Katoikos
Houve um tempo em que Solveig queria
Sentar-se entre os sábios de seu rei
Ler numa disputa o que ninguém percebia
Dar melhor conselho diante da lei
Guardava ambição sem falsa modéstia
Queria influência, saber, decisão
Ainda existia naquela jovem inquieta
Uma vida maior que qualquer posição
Depois vieram perdas que não cederam
Feridas antigas pedindo reparação
As mágoas cresceram, os dias endureceram
E a cólera aprendeu sua respiração
Solveig julgou que odiar lhe dava força
Que a ira impediria outra humilhação
Quanto mais alimentava aquela revolta
Menos reconhecia a própria intenção
Solveig, onde ficou aquela menina
Que interrogava os homens de Halvdan?
A inteligência tornou-se disciplina
Para ferir antes da próxima manhã
Não foi num dia que Solveig caiu
Nem houve um instante capaz de explicar
Algo precioso aos poucos se perdeu
Quando odiar pareceu melhor que amar
A perspicácia que encontrava armadilhas
Passou a procurar traição em qualquer olhar
A mente que unia causas tão distintas
Aprendeu razões para nunca perdoar
Toda ofensa ganhava longa existência
Qualquer lembrança reclamava punição
E aquela antiga ânsia de experiência
Cedeu lugar à ânsia de retaliação
Ainda havia nela a mesma inteligência
A mesma coragem, o mesmo poder
Foi isso que tornou mais profunda a decadência
Pois tudo servia ao desejo de vencer
O ódio raramente chega declarando
Que pretende devorar o que encontrou
Oferece força enquanto vai tomando
Aquilo mesmo que jurou que preservou
Solveig, onde ficou aquela menina
Que interrogava os homens de Halvdan?
A inteligência tornou-se disciplina
Para ferir antes da próxima manhã
Não foi num dia que Solveig caiu
Nem houve um instante capaz de explicar
Algo precioso aos poucos se perdeu
Quando odiar pareceu melhor que amar
E no inferno ela ainda recordaria
O conselho, o fiorde, a juventude
A possibilidade que jamais viveria
A mulher que poderia ter sido em plenitude
Sua maior derrota não veio do inimigo
Nem das correntes que depois conheceu
Começou quando fez do rancor um abrigo
E entregou ao ódio aquilo que era seu
Séculos depois, perdida entre tormentos
Restava uma pergunta difícil de esquecer
Se aquela jovem tivesse tido mais tempo
Que espécie de mulher poderia florecer?
Solveig carregou por muito tempo essa ausência
Mais amarga que qualquer recordação
A menina capaz de aconselhar um rei
Também habitava sua condenação



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