
Bandeira Com Caveira
Astrikos Katoikos
O sal nas feridas, o vento a cantar
Madeira rangendo no ventre do mar
Sob céu de pólvora e noites ao rum
Os saques não perdoam navio nenhum
Sem lei na terra, sem rei sobre si
Juraram a Calipso permanecer ali
No corte da espada e no sangue derramado
O mundo era deles, achado ou roubado
Bocas de fogo respondiam ao grito do mar
E as joias brilhavam sem nunca bastar
Cartas roubadas, mapas em vão
Pois o rumo nascia na própria ambição
Bandeira com caveira, no vento a tremular
Todo mundo sabe quem chegou
Quando essa escuna resolver atacar
Não vai sobrar ouro, e nem quem gritou
Eu sou Barba Negra, eu vivo no mar
Foi navegando que o mundo me fez
Não tenho terra pra me segurar
Meu rumo é a pilhagem outra vez
A noite tragava segredos em sal
E cada tesouro exigia um aval
Em escorbuto, em gangrena, em carne rompida
Na frágil fronteira entre instinto e vida
Eram reis sem trono, sem pátria, sem perdão
Vivendo entre o aço e a condenação
Cada aurora podia não vir
Mas nenhum deles quis desistir
O tempo passou, mas ficou no oceano
O cheiro de pólvora e madeira queimando
Histórias que o vento insiste em contar
De homens que ousaram tesouros tomar
Bandeira com caveira, no vento a tremular
Todo mundo sabe quem chegou
Quando essa escuna resolver atacar
Não vai sobrar ouro, e nem quem gritou
Eu sou Barba Negra, eu vivo no mar
Foi navegando que o mundo me fez
Não tenho terra pra me segurar
Meu rumo é a pilhagem outra vez
Não era apenas o ouro, era o sentir
Que a vida é breve demais pra fingir
Abaixo o abismo e à frente a ousadia
Escolheram o risco da pirataria
E hoje nos mapas não há mais sinal
Daqueles que riram da lei mortal
Mas no fundo escuro do imaginar
Ainda se ouvem embarcações a navegar
Se o bafo marinho chamar, você vai saber
Que há algo antigo dentro de você
Um grito salgado querendo voltar
À vida indomável de piratear
Bandeira com caveira, no vento a tremular
Todo mundo sabe quem chegou
Quando essa escuna resolver atacar
Não vai sobrar ouro, e nem quem gritou
Eu sou Barba Negra, eu vivo no mar
Foi navegando que o mundo me fez
Não tenho terra pra me segurar
Meu rumo é a pilhagem outra vez
Dizem que o pirata usa tapa-olho pra parecer mau
Mas enxergando pouco tropeçou no papagaio
Mas foi culpa da perna de pau
Bandeira com caveira, no vento a tremular
Todo mundo sabe quem chegou
Quando essa escuna resolver atacar
Não vai sobrar ouro, e nem quem gritou
Eu sou Barba Negra, eu vivo no mar
Foi navegando que o mundo me fez
Não tenho terra pra me segurar
Meu rumo é a pilhagem outra vez



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