O Revólver de Caim
Bar dos Esquecidos
Achei na areia, queimando no Sol
Brilhando como escama presa no anzol
O metal era frio, pesado e ruim
Gravado no cano o nome Caim
Limpei a poeira, girei o tambor
Senti no meu braço um frio de horror
Não pus a munição, ela já estava lá
Esperando o momento de alguém disparar
A arma sussurra, a arma me guia
Ela pede sangue de noite e de dia
Apontei pro espelho, a mão não tremeu
Quem manda no gatilho já não sou mais eu
O dedo coça, a bala quer sair
Eu tento parar, mas não consigo fugir
Não é de chumbo, é feita de dor
A arma é o mestre, eu sou o servidor
O revólver de Caim nunca errou o sinal
Um tiro pro homem, um tiro pro mal
Matei um estranho que nunca me olhou
A arma subiu e o fogo estourou
Não tenho inimigo, não tenho razão
É a fome do ferro na minha mão
Tentei jogar fora, enterrar no chão
Mas ela volta pro bolso como maldição
Para de atirar, me deixa em paz
Eu não aguento matar nunca mais
O dedo coça, a bala quer sair
Eu tento parar, mas não consigo fugir
Não é de chumbo, é feita de dor
A arma é o mestre, eu sou o servidor
O revólver de Caim nunca errou o sinal
Um tiro pro homem, um tiro pro mal



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