Repente Alagoano
Beija-Flor & Treme Terra
(Ah, vou amar, vou amar)
A mulher é uma flor
O homem, seu amor
Deve na vida gozar
(Vou amar, vou amar)
E nas horas premeditadas
Eu vou cantar com você
Com brilho e com procede
Lá vai eu continuar
(Vou amar, vou amar)
A defesa é natural
Cada qual para o que nasce
Cada qual com sua classe
Seus estilos de agradar
(Vou amar, vou amar)
Um nasce pra trabalhar
E outro nasce para a briga
Outro vive de intriga
Outro de negociar
Outro vive de enganar
O mundo só presta assim
É um bom, outro ruim
E não tem jeito pra dar
Pra acabar de completar
Quem tem o mel dá o mel
Quem tem o fel dá o fel
E quem nada tem, nada dá
(Vou amar, vou amar)
E veja que vou te chamar
Pra nós cantar um trocado
Uma defesa, visado e sentido
Para não tombar
Eu peguei bem enterrado
Fechei a porta da sede
Pedido de quem me pede
Deus me livre deu faltar
E a medida vos que mede
Que quem quer na cantoria
Se querem sabedoria
Ou querem cocos de embolada
E eu também tem cantoria
E quem canta assim não erra
Pode seguir, treme-terra
Que eu atrás, de vagar
E pode fazer sua guerra
Suba [?] do jeito que pensa
Desenrola a consciência
Que eu tô no seu caicanha
Você pode cantar ciência
Eu, com pandeiro na mão
Deu botar um carrerão
E é ruim de cantor entrar
E pode desparafusar
E bote pra cima de mim
Que não nem sou bom, nem sou ruim
Sou duma média regular
Ói, canta bonito é assim
Ói, bote força na garganta
Pode fazer sua planta
Que eu garanto o cultivar
Que dizer que adianta?
Pode cantar animado
Que eu sou um peso pesado
Num prometo pra faltar
Treme Terra, eu tô ao teu lado
De cantor não tenho queixa
Eu tô pegando no deixa
Dos batedor de ganzá
E por favor tu não esqueça
Que eu no deixa eu sou pegado
Cantor metrificado
Pra doutor não reclamar
É frente, é banda, é quina, é lado
É lado, é banda, é quina, é frente
É boca, é queixo, é língua, é dente
É avião, motor e asa
É pouco galope repente
Que na frente bandelado
Pegue o bangalô sobrado
Erre é mal elemar [?]
O meu colega ao teu lado
Quando um vai o outro vence
Um é linha, o outro é trem
Se um é roda, o outro é mancada
Desse jeito me convém
E eu vou levar mais queimado
Você pega e peneirado
E eu já vou daqui pra lá
Me conte comigo ao teu lado
Você vai acelerando
E eu sou um paraibano
Mas garanto meu cantar
Eu nem ligo, nem tô ligando
Pode cantar animado
Vá de quina, vá de lado
Que eu quero lá de céu
O Treme Terra, amigo amado
Eu garanto a minha parte
Que o engate bacamate
É onde é meu natural
Há 12 anos que eu canto
No solo de Pernambuco
Neste terreno de suco
De Pedro Aves Cabral
E na passagem aqui nambuco [?]
Onde eu bato meu pandeiro
Eu canto o brasileiro
Que dá valor ao cantar
Se quer caminho de eu passear
Que eu sou poeta repentista
Meu nome já está na lista
Na revista e no jornal
E veja, povo, ele é conquista
Eu sou um paraibano
Mas faz 28 anos
Que eu moro neste lugar
E deixa a barra se quer vai
E pode cantar animado
Vai que quina, vá de lado
Vá de frente, vá de banda [?]
O de cantar samba
Canta a cabeça voar
Você pode ser o a
E pode ser o leão
E pode ser o dragão
Que brigou com o juvenal
Se tu me atacar
Eu tomar por desmantelo
Em cada um pé de cabelo
Tem dez sambas pra te dar
E você pode emburacar
Pode gemer, pode subir
Pode prender, pode cair
Pode dar volta no olhar
E cantar comigo não vai
Brigar comigo não ganha
Se ficar você apanha
Se correr eu vou pegar
Minha vida é viajar
Eu ando de noite a dia
De Pernambuco a Bahia
São Paulo e Minas Gerais
Olha, no Paraná
Já cantei com dez de frente
O moreno no repente
Tá em primeiro lugar
Pode emburacar
Canta aí com o beija flor
Eu sou improvisador
Na altura de quem mandar
É caminho de eu passear
Que eu não sou menino amarelo
Caso o baque de venero
Meu repente é bacata
Se eu me zangar
Eu pego o coco, vendo o coco
Raspo o coco, quebra o coco
Levo o coco, vendo o coco
Nasci da raiz do coco
De cantar já digo roco
Tô fino do pé de coco
Sou mor coqueirar
E se é que é saber cantar
Treme Terra onde canta
Bota força na garganta
Que só tubarão no mar
Se for no A, se for no B
É no B
Se for no P, é no P
No H, é no H
Pode emburacar
Coloque seu carreirão
Que a Virgem da Conceição
Me dá força pra eu cantar
E aí eu quero avisar
Que lá em casa tudo canta
Quando é na hora da janta
Tudo bate maracá
E canta Diomar, canta Rita, Damiana
Canta Pedro e Bastiana
Chiquinha com Valdemar



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