Páprica
Bel Aurora
Queria jogar tudo o que te deram para o alto
E garimpar mãos pelos pés
Como as margens de um ofício
Correndo pelas noites de água fria
Luar místico, extra-corpóreo
Te perpassa, te toca
Te faz reparar na conduta frígida
Faz perder o eixo da coluna
Procurar um lugar pra tecer lágrima
Sente que a vida vai, vai te devorar e que
Que o ardor da páprica pode te abastecer
Áspera a condição em que pigmentos vão temperar e afogar
Mergulhar em condimentos e buscar acontecer
Vamos embora
Não há nada a se tocar aqui
Refúgio, servidão
A retorcer-se e concluir
Vamos embora
Retomar o que for te servir
As sobras renderão
Aproveitar o que não repelir
Vamos embora
Não há nada a acrescentar aqui sem corpo ou rendição e nenhum canto pra fugir
Vamos embora
Vai brotar o que deixou aqui
Talvez num só depois
Quando deixar o tempo reagir
Essa cidade nunca foi nossa, baby
Há pedaços secos de carcaça humana na calçada
E nunca vamos conhecer esses genomas
Sob as solas das botinas da corte fardada



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