Traído, Mas Não Derrubado
Canções do Deserto
Dei minha palavra como quem dá a vida
Confiei meu nome, minha história ferida
Mas a mão que apertou foi a mesma que soltou
E o amigo que sorria foi quem me apunhalou
Vi o chão abrir sobre meus pés
Lealdade vira pó outra vez
Mas quando tudo parecia acabado
Eu estava traído, mas não derrubado
A dor ensinou o que a fé não mostrou
Quem fala demais raramente ficou
Se confiar foi meu maior pecado
Levantar foi meu novo legado
Traído, mas não derrubado
Ferido, mas não derrotado
O mundo tentou me ver cair
Mas eu aprendi a resistir
Traído, mas não silenciado
Meu silêncio virou meu recado
E me empurraram pro chão
Eu voltei com mais decisão
As promessas quebraram como vidro na mão
Cortaram fundo, deixaram lição
Vi a verdade nua e crua brilhando fria sob a Lua
A confiança virou cicatriz, o erro virou raiz
Mas raiz também sustenta o chão
E eu criei força na traição
Enquanto riam da minha ruína, eu afiava a própria disciplina
Enquanto brindavam minha queda, eu juntava os pedaços da estrada
Não foi vingança que me moveu, foi a certeza de quem sobreviveu
Porque quem enfrenta o pior da dor não teme o peso do rancor
Eu confesso, doeu demais perder o que eu chamava de paz
Mas o fundo revela o que é real, mostra quem é fraco e quem é leal
Ouvi meu nome ser jogado ao vento, vi meu passado virar julgamento
Mas eu fiquei mesmo isolado, traído mas não derrubado
Passo após passo, noite após noite
Sem aplauso, sem holofote
A dor virou método, virou lei
Cada queda me fortaleceu de vez
Não foi sorte, foi resistência
Não foi milagre, foi persistência
O que tentaram usar para me destruir
Virou base para me reconstruir
Traído, mas não derrubado
Ferido, mas não derrotado
O mundo tentou me ver cair
Mas eu aprendi a resistir
Traído, mas não silenciado
Meu silêncio virou meu recado
E me empurraram pro chão
Eu voltei com mais decisão
Hoje eu caminho com menos ilusão
Mas muito mais convicção
Aprendi que confiança é rara e lealdade não se declara
Se o preço da fé foi cair, o valor da queda foi evoluir
O homem que fui ficou no passado, ingênuo demais, despreparado
O que sobrou não se dobra fácil, é feito de aço, não de plástico frágil
Não carrego o ódio como bandeira, mas também não esqueço a maneira
Que tentaram me ver no chão, sem saber que eu sou reconstrução
Eu acreditei, eu confiei
Eu caí, mas levantei
E quem tentou me ver no fim
Vai ter que me ver seguir
Traído, mas não derrubado
Mais forte do que no passado
O que era dor virou direção
O que era queda virou chão
Traído, mas ainda de pé
Aprendi a confiar só na fé



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