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Conveniência Pura

Cláudio Fontenelle

Você não é meu porto, é só um Uber de luxo
Para me levar onde o meu ego tem mais fluxo

Um carregador quando a bateria tá no fim
Sua lealdade é um chip que não serve para mim

Teu afeto é um gadget, eu uso e deixo na gaveta
Relação de delivery, sem nota do planeta

A gente se usa, não se ama, que ironia
Utilitários no topo da hierarquia

Sem lealdade, a confiança é peça rara
Onde o serviço acaba, a gente se desampara

É Black Friday no meu coração vazio
Comprou um abraço e ganhou o meu frio

Você é o Wi-Fi que eu conecto quando eu quero
Sinal tá fraco, eu simplesmente zero

Não ligo pro teu backup, nem pra tua história
Teu prazo de validade é curto na memória

Não é confiança, é conveniência pura
Um curativo em cima de uma rachadura

A gente se usa, não se ama, que ironia
Utilitários no topo da hierarquia

Sem lealdade, a confiança é peça rara
Onde o serviço acaba, a gente se desampara

É Black Friday no meu coração vazio
Comprou um abraço e ganhou o meu frio

Mas quando o sistema falha e o app trava
Cadê o ombro amigo que você não dava?

Não tem suporte técnico pro que a gente sente
Ficamos offline, frios e ausentes

Pronto, desinstalei
Não tem mais atualização para você

Adeus, serviço inútil


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