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No Tempo De Agora

Dani Flauzino

Senhor, sou um viajante estelar em experiência em um planeta
Entre mares, céus, estrelas e cometas
Experimento a mente num corpo de carne, sangue de gametas
Que anda, pula, salta e se movimenta
Que tem por dentro construção imperfeita

Minha memória guarda flashes do que dizem ser ontem
Lembranças de uma vida de um tempo mais longe
Nem sei onde nem sei de onde
Saudades do que não vivi
Sem saber qual lugar foi lar de verdade
Aqui ou em lugar que não se compreende nem tempo nem idade

O que chamam de avós, pais e irmãos
Me acrescentam apego, apreço e comunhão
A tal história da evolução
Tal qual pede o livro na parte da ressurreição
Não compreendo as lutas, as guerras, o ruim e o bom
Os falsos, os exatos, o mal e o bem
A fábula do belo, do feio e de mais quem
Sem nunca ter certeza de nada também

O que chamam de tempo contei
Até o ponto em que não é bom mais contar
Pois com ele perdi tudo o que lutei pra juntar
E quanto mais o tempo passa, mais difícil é entender
Se a vida foi longa demais ou se faltou tempo pra viver

Meu apego a uma mãe que me fez existir
Mas partiu sem nunca mais voltar, nem deu tempo de me ver formar
Agora é o tempo de irem embora
Um a um, os amigos, irmãos e minha história
Meu coração que é de carne dói, recorda e só chora

Mas penso nas vidas que cruzaram a minha e nas pessoas que pude ajudar
Talvez eu nunca tenha sabido quantas vezes minha palavra
Pôde fazer um caminho ser do bem
Quantas vezes proteger, ensinar e cuidar foi importante na parte da vida de alguém
E quando alguém parte, o que resta não me parece só saudade
É também a pergunta que ninguém responde: Fiz o melhor que podia enquanto esteve aqui?

O que aprendi, ensinei, só ficou na memória
E o tempo também apaga as paredes do abrigo
Mas talvez alguma coisa permaneça na história de quem caminhou comigo
Mesmo que eu nunca saiba, pois até o saber é sopro impreciso
Talvez viver seja isso: Ser passagem e companhia
Cruzar outras vidas por algum tempo, algum dia
Não saber de onde viemos, nem saber para onde vamos
Mas poder fazer melhor o tempo em que nos encontramos

Senhor, se existe um sentido que eu ainda não consigo entender
Talvez esteja no instante que ainda posso viver
Pois o ontem virou memória, o amanhã ninguém pode contar
E se existe algo sagrado, é acordar e ainda estar

Quando me despertar para ir embora, que eu possa então recordar
Não tudo o que consegui juntar, mas aqueles que pude amparar
As vidas que tocaram a minha e o bem que pude deixar
Pois que viver é só um ato
Breve, imperfeito e humano, alma que implora por tempo
Uma passagem entre dois mistérios no tempo de agora

Escrita por: Daniel Flosino Lopes (Dani Flauzino). ¿Los datos están equivocados? Avísanos.

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