
Meu Canto
Desidério Souza
O meu canto se confunde
Assim num primeiro estálo
Com o berro do boi manso
E eo doce cantar do galo
O tilintar das esporas
E o relincho do cavalo
Por isso eu canto e cantando
Neste meu jeito crinudo
As desventuras da alma
Arranco com terra e tudo
Meu canto é rumor de vento
Numa noite enluarada
Latir de cusco distante
Vagueando na madrugada
E o redobrar do cincerro tangendo
A tropa da estrada
Por isso eu canto e cantando
Com toda a voz lhes garanto
Se eu não vivesse o que eu sinto
Eu não seria o que eu canto
Meu canto é laço certeiro
Do campeiro, domador
E o grito do quero-quero
Ao mesmo onde quer que for
É o lamento indescobrido
Dos desgarrados do amor
Por isso eu canto e cantando
Eu mando a tristeza embora
Que a estrada dura da vida
Não é pra trotear quem chora



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