O Útil e a Calamidade
Fernando Alva
A vaidade é o peso que o homem escolhe carregar
É tudo o que sobra e não serve para ajudar
Voltamos ao cenário onde o chão se partiu
Onde o brilho do ouro o abismo engoliu
Se o socorro tarda e o dia escurece
O perfume caro na pele apodrece
O luxo vira lixo, o status vira pó
Diante do destino, você está só
O que não serve na hora da dor
Não tem serventia e nem valor
Na calamidade, o essencial se revela
Enquanto o excedente queima à luz de vela
Onde está a utilidade do que você acumulou?
Se o que salva é a água que o céu enviou?
Pão para a fome, abrigo pro frio
O resto é vaidade, um deserto vazio
A vaidade distrai, ensurdece o ouvido
Afasta o homem do seu sentido
O que é excedente não pode salvar
Só o que é essencial pode nos libertar
Ela te ensina a viver tão distante de Deus
A buscar nos objetos os desejos teus
Mas o excesso impede o próximo passo
Te prende no tempo, te rouba o espaço
O verdadeiro caminho é usar a sua fé
Pra praticar o amor, custe o que custar, como for
Pois a fé sem o agir é apenas vaidade
Uma crença sem vida, sem alma e verdade
O ouro não mata a sede
O luxo não traz o abrigo
Na hora da calamidade
Deus quer ser o Seu amigo
O excedente
É vaidade!
O inútil
É vaidade!
A distração
É vaidade!
O amor
É o essencial!



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