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O Grande Ausente

Fernando Maurício

Passei hoje à Mouraria
Deserta, triste, abatida
Na mais estranha cegueira
E recordei junto à Guia
A febre d’alma incontida
De Gabriel de Oliveira

Se esse marujo imponente
Visse morrer ao desdém
A fé sentida que havia
Esse poeta valente
Sofria mais que ninguém
Na velhinha Mouraria

Sua voz tinha a magia
De impor respeito a qualquer
Nos bairros mais desordeiros
E quando amava, sentia
Fosse por qualquer mulher
Sentimentos verdadeiros

Hoje ficou como imagem
Saudade de alguém ausente
A espalhar melancolia
Como que estranha miragem
A recordar tristemente
Um grande da Mouraria

Escrita por: João Gomes / Julio Proença *fado proença*. ¿Los datos están equivocados? Avísanos.

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