
Aquarela Mineira (I)
Francisco Alves
Negras redondas e gordas levando a comida
Pros negros suados, os negros cansados de capinar
Bate o monjolo a cadência do milho socado
Moleque, olha o gado, ainda está no curral
Põe pra pastar
Roda o engenho de cana, de cana caiana
É de manhãzinha, a vida começa na Fazenda da Barriga
Minas Gerais, ó meu Minas Gerais, se eu pudesse voltar há trinta anos atrás
Tocava os meus bois, fumava escondido entre os cafezais
Ô tempinho bom, que não volta mais
Em Minas Gerais tem, tem ferro, tem ouro, tutu, tem gado zebu
Tem também umas toadas
Alma sonora das quebradas, encanto das noites de luar
E a história do Brasil tem muitas páginas heroicas, imortais
Escritas com sangue mineiro, salve o meu estado de Minas Gerais



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