Bar da Bôemia

Frankito Lopes

Bem na esquina daquela rua morta
Reina o silêncio até findar o dia
Chegando a noite, abrem-se as portas
Do afamado bar da boemia
E no momento em que eu ali chegava
Os companheiros corriam me encontrar
E as mulheres, todas me rodeavam
E até brigavam por querer me abraçar
Naquela rua eu sempre fui o dono
Igual um rei volteado de rainhas
Falsos amigos destruíram o meu trono

Agora abraçam as mulheres que eram minhas
Por intermédio de uma luz acesa
Vejo o cantinho que elas sentavam comigo
Vejo as mulheres naquela mesma mesa
Bebendo ao lado de quem foram meus amigos
Hoje sozinho, eu maldigo aquele bar
Onde perdi a vergonha e o dinheiro
Quando não tinha mais o que gastar

Perdi as mulheres e meus companheiros
Em recompensa dos meus tempos de boêmio
Recebo a rua como herança da orgia
A miséria e o desprezo foram os prêmios
Que recebi na maldita boemia
A miséria e o desprezo foram os prêmios
Que recebi na maldita boemia (ui!)
Ui, ui, ui


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