Poeira
Gildomar Marinho
Quando a poeira sobe
Turva a visão do dia
Enquanto a cadela dorme
Ao som da cotovia
É sol na moleira
Estrada, poeira
É o peso do tempo nos ombros da freira
Quando o corte certeiro
Da foice impiedosa
Ceifar o que nos aferra à légua tirana
É paz desejada
Aos olhos do justo
É mata fecha aos olhos do cego
Quando o lamento for maior
Que o gosto doce da vida
Quando o amargo trago indigesto
Travar a garganta fria
É estrada, destino
Do errante poeta
É outra viagem
Pro mundo sem seta
Quando o lamento for maior
Que o gosto doce da vida
Quando o amargo trago indigesto
Travar a garganta fria
É estrada, destino
Do errante poeta
É outra viagem
Pro mundo sem seta



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