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De tão cansado de andar no chão da imensa Galileia
Teus pés doridos palmilharam ondas desse nosso mar
Tua cabeça repousou pesada neste humilde barco
Mas nem um oceano conteria todo o teu estar

Eu te ofereço um verso livre, um gesto, um canto de acalanto
Uma canção tardia junto ao berço que não te embalou
Repousa, ó Mestre, entre as redes rotas deste meu destino
E o desalinho dessas roupas rudes que o mar lavou

Que sonharás, ó grande sonhador que és nosso grande sonho?
Será que pensas como alimentar famintas multidões?
Passeias longe por montanhas altas e amplidões desertas?
Por um segundo esquece a dor do mundo e suas aflições

Há tanta estrela neste céu faminto por sinal divino
A procurar um grande rei menino vindo de Belém
E nós também, passados esses anos, fomos te seguindo
Entre os caminhos e redemoinhos que essa vida tem

Repousa, ó Mestre, enquanto atravessamos essa calmaria
Navegaremos por um breve tempo e adormecerás
E numa noite, eterna noite, cheia de cruéis temores
Nós dormiremos num jardim secreto e tu vigiarás
E numa noite, eterna noite, cheia de cruéis temores
Nós dormiremos num jardim secreto e tu vigiarás


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