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Autor Desconhecido

Guilherme de Sá

Acho que eu devo sofrer algo estranho
Eu enxergo e não consigo ver
Eu quero enxergar! Alguém transforme este lugar

Mas não há nada no país
Não há vontade de mudar
Não há zelo, só há medo no ar
Se o povo não conhece a própria história
Está condenado a repeti-la

Não quero acreditar!
Até quando estarão nossas mãos tão fechadas?
Até quando estarão nossos braços cruzados?
Há um lapso ao vento e há uma fenda aberta
É onde eu quero estar

Acho que eu devo sofrer algo estranho
Uma espécie de tragicomia
Mal me quer!
A cômica e trágica flor vazia

A nossa ordem é um exílio
E o progresso é apenas um suspeito autor desconhecido
Tentando abafar um caso antigo
Vendendo uma ideia de alívio
Eu quero perguntar

Por que não estender nossas mãos tão fechadas?
Por que não descruzar nossos braços cruzados?
Há um lapso ao vento e há uma fenda aberta
É onde eu quero estar
Poderia me apegar ao ego e abandonar este lugar
Mas resolvi ficar um pouco mais
Quem sabe eu não provoque um incêndio por aí?


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