Estampa Galponeira
Ildo Martins
Para quem olha esta estampa galponeira
Já reconhece que sou gaúcho pampeano
De peito aberto, temperado de minuanos
Um peão campeiro, com firmeza no tutano
Pelas mangueiras, não fraquejo à força bruta
Pelas coxilhas a energia de um zebu
Se sou a causa dos suspiros das morenas
Não me atuzina ser chamado de xiru
Este meu canto tem a estampa do Rio Grande
E meu Rio Grande já tem a cara de mim
Por esses campos, sempre tenho um bom cavalo
E um 'reiador' que se arrasta pelo capim
Manhã cedito faço longas campereadas
E das estradas faço a extensão do meu rancho
Fim de semana, bem pilchado, encilho o pingo
O povo sabe que sou louco por farrancho
Já na chegada, se uma gaita me convida
Abro meu peito, perseguindo uma vaneira
E o povaréu já bate palmas, comentando
Mas que buenacho “este” guasca da fronteira
Domingo cedo, quando volto para o rancho
Solto meu pingo e vou cevar o chimarrão
Abro a janela, pra que o Sol faça visita
Meu cusco amigo, latindo, pede atenção
Então percebo que meu xucro pensamento
Voltou ao baile, pra se encontrar com a morena
O tempo passa e só então me dou por conta
Que o encanto é grande e esta vida é tão pequena



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