Muito Além do Silêncio

Kiko di Faria

Um dia, sem esperar, ele se deparou com a fúria da paixão
Foi quando encontrou a menina de voz doce, que, cheia de encantos
O enfeitiçou e roubou para sempre o seu coração!
Ela cantava com doçura, até parecia um anjo de luz
Ele, com a força dos campos, na flor da juventude plena, a vicejar
Juntos teceram um sonho todo azul, que os conduziu aos pés do altar!

Se amaram e tiveram dois filhos, aos quais acolheram e amaram
Com um amor tão intenso que os dois não podiam nem sequer mensurar
Mas a vida, que era um sonho, assim, do nada, então se rasgou
O lindo sonho dos dois se encheu de tristeza, marcado pela dor
O dia se escureceu e eles se viram reféns do medo e da solidão
Que, chegando de forma voraz, feriram suas almas sem justa razão

O filho mais jovem do casal fora então levado, de forma abrupta e tão violenta
Criando enorme tormenta, a noite levou o sorriso desse filho, sem explicação
Para outro lugar, deixando um enorme vazio, difícil de explicar, difícil de aceitar!
Os dois, de mãos entrelaçadas, olhos lacrimejantes, fitando o infinito
Mesmo feridos e cansados, sabem que no céu o filho amado, feito uma estrela
Vive a brilhar! No colo de Deus, esse filho querido, em luz acolhido, vivo está!

Além do silêncio, renasce a canção
Coragem no peito, sufocado de emoção
Ele e ela despertam para a vida que, voraz, se renova em flor
Se descobrindo feitos de barro e de amor
Vão saindo do escuro, encarando o futuro e vencendo a dor

Os pais que perdem um filho, perdem um pedaço de si
Perdem o sentido da vida e a própria razão para existir
Já não encontram palavras, orações ou abraços que sejam capazes de os consolar
E só o tempo e Deus, com todos os mistérios seus, poderão de fato os entender e então os curar
Os pais que perdem um filho sentem até mesmo medo de amar
Se esquecem que estão vivos e, na dor profunda, podem se culpar
Mas o amor é remédio, que chega em silêncio para tudo curar e à vida renovar

Os pais que perdem um filho, perdem um pedaço de si
Perdem o sentido da vida e a própria razão para existir
Já não encontram palavras, orações ou abraços que sejam capazes de os consolar
E só o tempo e Deus, com todos os mistérios seus, poderão de fato os entender e então os curar
Os pais que perdem um filho sentem até mesmo medo de amar
Se esquecem que estão vivos e, na dor profunda, podem se culpar
Mas o amor é remédio, que chega em silêncio para tudo curar e à vida renovar


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