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Voltei com os pés descalços à beira do Vouga
Onde o tempo se deita nos braços da flor
As águas ainda sussurram teu nome nas curvas
E a saudade navega num barco de amor

As telhas vermelhas de Angeja, ao longe
Choram memórias no vento do entardecer
E Aveiro, com olhos de sal e brisa amante
Me chama baixinho, pedindo pra não esquecer seus palheiros

Nos trilhos antigos das rias serenas
Guardei teu abraço, teu riso, teu pão
E aldeias caladas, com vozes pequenas
Cantavam teu nome no meu coração

Volta ao rio, ao cheiro da infância
Na casa da barca, às mãos da minha avó no fogão
Volta ao fado, à doce esperança
Que brota no lodo e floresce no chão

Choro por ti, minha terra encantada
Com cada saudade bordada em canção
Volta ao rio, me leva pra casa
Que o peito não cabe tanta emoção

Albergaria, suas esquinas antigas
Guarda segredos no tronco do pinhal
Angeja me deu as primeiras palavras
Feitas de barro, silêncio e luar

Em Frossos, as tardes têm cheiros de casa
Caminhos de pedras e vinhas amigas
Cheiro do pão, o som do portão
E um sino distante a me consolar

Alegrias na eira, meu pai na pateira

Volta ao rio, ao cheiro da infância
Na casa da barca, às mãos da minha avó no fogão
Volta ao fado, à doce esperança
Que brota no lodo e floresce no chão

Choro por ti, minha terra encantada
Com cada saudade bordada em canção
Volta ao rio, me leva pra casa
Que o peito não cabe tanta emoção


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