
Retratos
Luis H. Rocha
A janela da estância ilumina
O retrato que alguém pintou
Do pai, do pai do meu avô
Morto na guerra Cisplatina
Ao lado um farroupilha
Que derrotou Tavares no Seival
Seu corpo tombou na coxilha
Soldado herói, valoroso e leal
E de retrato em retrato
Como se fosse um relato
As guerras do Continente
Sumiram com essa gente
A batalha deixou na estampa
Um nome, um sonho e lamento
E o minuano solto no pampa
Traz de volta o antigo tormento
Do lado direito do pai
Uma fileira de honradez
Mortos na Guerra do Paraguai
E na revolução de noventa e três
A cada guerra, cada revolução
Nascia uma nova pintura
Descrita pela recordação
Pela dor que ainda perdura
E se entoava uma prece
Se contavam atos de bravura
Misturando ternura e amargura
Em torno dessas molduras
A batalha deixou na estampa
Um nome, um sonho e lamento
E o minuano solto no pampa
Traz de volta o antigo tormento
Nas noites de tempestade
Como um tropel farroupilha
O retrato da retidão
Cai, vencido, no chão
Revoltado, talvez, com o fato
De que o Rio Grande cordato
Como quem se acovardou
Aceita todo desacato
Nenhuma alma guardiã
Estará na parede amanhã
Pois todas vão ostentar
Fotos coloridas de bazar
A batalha deixou na estampa
Um nome, um sonho e lamento
E o minuano solto no pampa
Traz de volta o antigo tormento



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