Deserto
Marcos Pagu
Eu vim de da Terra de ninguém
Onde quem tem umbigo é rei
Quem tem dinheiro compra além
Dessa ganância de alguém
Eu vim da Terra de ninguém
E de onde você vem também
Deserto, esperto é o gato
No horário exato que caça o rato
Se esconde do cão
Deserto, tu levas diamante
O ouro, o mármore
O mangue, o mandacaru
O mar e o sertão
Eu sou daqui, tu não
Eu vim da terra de ninguém
Do povo que não sente dor
De quem deixou seus ancestrais
Para seguir o teu senhor
Trocaram deuses descartáveis
E a riqueza com os miseráveis
Que te enganaram ficou
A metafísica é o motor da imaginação
E dentro disso eu carrego uma ilusão
Em uma bolsa sete livros e um líquido esquisito
Um rabisco pra fazer alteração
Os seus soldados quase mandam por aqui
E sempre riem do que é nossa tradição
Nós somos resto do contrário do que pensas
Eu não troco nossas lendas pela tua ficção
Teu lobisomem nunca ouviu o assobio
Princesa cobra tá no poço a te esperar
Daí viva os noivos quando for rasga mortalha
A tua águia, e teu lobo é menor que o carcará
Eu não gosto de quem chega presunçoso
Você não é superior se essa terra é de ninguém
A revolução não tem devolução
A revolução não tem devolução
Deserto, esperto é o gato
No horário exato que caça o rato
Se esconde do cão
Deserto, tu levas diamante
O ouro, o mármore
O mangue, o mandacaru
O mar e o sertão
Eu sou daqui, tu não



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