
Malandro Calibrado
Marlon Borges
Desembarquei do meu carrão em Madureira
Terra de Clara Guerreira
Aniceto, Dona Ivone e Anescar
O Portelão estava lotado até o teto
E no palco Almir Guineto
Convidava todo mundo pra dançar
Quando cheguei, todos ficaram de bobeira
Desde Kid Morengueira
Uma malandro não pisava no lugar
De copa norte, paletó de puro linho
Fui chegando de mansinho
E a mulherada a me agarrar
Também um negão todo perfumado
Elegante e alinhado
Todo mundo quer pegar
Com elegância, dei a mão no microfone
Pois comigo o couro come
Botei logo todo mundo pra sambar
No camarote, um tal de Zeca Pagodinho
Desmaiou, caiu durinho
Pra não ter que me encarar
Eu cantei samba de verdade
Fiz zoeira, balancei a jaqueira
E a Tabajara não parava de tocar
Diogo Nogueira quando me viu ficou mudo
E de olho verde e tudo
Foi embora do lugar
Ele sabe que se fica
O negão vai esculachar
Mas de repente eis que alguém bate em meu ombro
Provocando um grande assombro
Me acordando desse sonho singular
Era a patroa incomodada com o barulho
Acaba com esse arrulho
Acorda, vai trabalhar
Meu Deus! Como esse mundo está mudado
Um malandro calibrado já não pode nem sonhar



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