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Quando Eu Morrer

MC Ranfo

Tudo que eu fiz até aqui foi com o que eu tinha na mão
Livro escrito na madrugada, música feita na pressão
Cada caos que eu pisei virou parte do chão
Cada queda que eu vivi virou mais uma canção

Não foi sorte, foi insistir quando ninguém via
Foi errar mil vezes pra acertar um dia
Entre versos, histórias, notas no ar
Eu fui deixando pedaço meu em todo lugar
Se alguém perguntar quem eu fui de verdade
Não aponta o dinheiro, aponta a vontade
Eu construí com palavra, silêncio e dor
Transformei o que sangrava em voz, em amor

Eu não sei se fiz certo, só sei que fiz
Com tudo que eu era, com tudo que quis

Quando eu morrer, o que vai ficar?
Os livros que eu escrevi ou o jeito de amar?
As músicas soltas no vento a tocar
Ou o nome que alguém ainda vai lembrar?
Quando eu morrer, quem vai sentir?
Meus amigos? Minha família? Ou só quem ouviu cantar?
Se eu partir, que fique a verdade
De que eu vivi do meu jeito, sem pedir permissão pra existir

Eu vi mundos nascerem dentro de mim
Histórias que não tinham começo nem fim
Criei universos pra não enlouquecer
Quando a vida real tentava me vencer
Tem gente que passou e não voltou
Tem laço de sangue que o tempo apertou
Mas tudo que ficou, ficou por razão
Cada amor foi escola, cada perda lição
Se amanhã eu não acordar pra escrever
Que alguém leia e consiga entender
Que eu não fui perfeito, nem tentei ser
Só fui verdadeiro no pouco que pude oferecer

Não sei o que vem depois do final
Mas espero que exista algum sinal

Quando eu morrer, o que vai ficar?
Os versos rabiscados ou o som no olhar?
O que eu deixei sem conseguir falar
Ou a coragem de nunca parar de tentar?
Quando eu morrer, quem vai dizer
“Ele caiu, mas levantou pra viver”?
Se eu partir hoje, sem aviso ou flor
Que saibam: Eu vivi criando, mesmo com dor

Não quero estátua, nem glória vazia
Só que entendam minha travessia
Se uma música minha salvar um dia
Já valeu cada noite fria
Se um livro meu fizer alguém resistir
Já fiz mais do que só existir
Talvez viver seja só isso então
Deixar luz onde antes era escuridão

Quando eu morrer, não chora por mim
Lê meus livros, dá play, deixa o som seguir
Eu vou estar nas linhas, no tom, no refrão
Em tudo que nasceu do meu coração
Quando eu morrer, se alguém perguntar
Quem eu fui de verdade, pode responder sem medo
Ele não foi perfeito, nem quis parecer
Mas viveu criando, até o último verso escrever

Se esse for o fim, eu aceito assim
Com tudo que eu fui, com tudo que há em mim
Porque enquanto eu vivi, eu construí
E isso, ninguém pode tirar de mim


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