
Entre Aliens e Unicórnios
Michel F.M.
Surgimos de baixo da cama
Por meio de lençóis e colchas
Para além dos edredons
Dos portais fabulantes
De trás para frente
De ponta cabeça, enfim
Comece de novo
Só comece novamente
Remoendo a massada das rimas
Bote o todo na betoneira dos poemas
Você não quer que todo mundo entenda, não é?
Imagine como seria tedioso
Se todo mundo entendesse
Mas não se aflija, pois não vão
Para cá desta murada
Não se vê tumulto, flagelos
Nem filas ou reclamações
As únicas interações são nossas
E para conosco
Quando as nuvens do incômodo se aglutinam
Despenca o toró, a torrente do alvoroço
E a alvorada nos enlaça saudosa
Disseste que teu nome
Era diminutivo de Lua
Como recompensa te dedico
Esta soma empanada de estrofes
Indissociável como estrógeno e progesterona
Luara, o motivo inicial desta composição
Foi um tanto desvirtuado
Mas considere o fato que registros efetuados
Tem como prêmio a posteridade
Ficando assim estampado
Senão nas memórias pueris
Ao menos em nossa comoção
Deixemos todas as condições
E os bem feitos, serem como são
Abandonados nos trópicos
Entre câncer e capricórnio
Um humor sulfúrico para ti
Vossa graciosidade se revela a sós
Entre Aliens e Unicórnios
Existem tantas teorias
Que não existem, por aí
Mas que existem, para nós
Ao menos em nossa comoção
Deixemos todas as condições
E os bem feitos serem como são
Serem
Como são
Em nossa comoção



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