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Trilogia do Sol Poente

Michel F.M.

Enquanto as maritacas
Berravam escandalosas
Na fiação da rua

As pombas bebericavam
A poça na calçada

E a centrífuga
Zunia barulhenta
Num canto da sala

Uma das cobaias
Na gaiola, refletia
Sobre a importância
Da manutenção
Da doença
Para fins lucrativos

Pois as medidas
Preventivas
Ou mesmo as curas
Não eram nada rentáveis
Para os acionistas

E no final das contas
Como o crescimento
Do PIB, não influenciaria
Em nada, a qualidade
De vida dos mais pobres

E com o sistema
Público de saúde
Há muito colapsado
Pela corrupção

(Lembre-se dos corruptos)
(E não se esqueça)
(Dos corruptores)
(Pois estes vem primeiro)

Falta de investimento
E total desprezo
Pela vida

O Estado Mínimo
De Direitos, precisaria
Continuar injetando
Dinheiro do povo
Na iniciativa privada

Para que a mão invisível
Do mercado seguisse
Enfiada no cu dos
Trilhardários

Para que os sanguessugas
Corporativos, nas reuniões
Apocalípticas de negócios
Do último andar
(Acostumados)
(A se safar)

Pudessem se fartar
Nos canapés recheados
Com as calamidades
Da população

Resumindo
Era sempre mais barato
Morrer

Escrita por: Michel F.M. / Bruno Michel Ferraz Margoni. ¿Los datos están equivocados? Avísanos.

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