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A Saudade Não Tem Porteira

Moreira

Passei um tempo na casa dum amigo amado
Hoje fui convocado a voltar onde nasci
Peguei as rédeas, dei rumo ao pensamento
E me fui num trote lento em busca do que aprendi

Mas que ironia o lugar onde cheguei
Parece que eu não passei a minha infância ali
Agora eu peço ao tempo, com paciência
Que não apague da consciência a magia que eu vivi

A porteira rangeu num lamento antigo
Como quem já não reconhece um amigo
Olhei pro galpão, pro rincão, pro moinho
E me senti estrangeiro no próprio ninho

A porteira aberta entendendo meu lamento
E no relento a carreta do meu pai
Que carregou peso, suor e dignidade
Me ensinou que a verdade
Não se vende e não se trai

Baixei a tramela e voltei pro meu canto
Banhado em pranto, eu entendi que a vida é assim
Na labuta e no traquejo da cidade
Levo a simplicidade
Que não tem preço e não tem fim

Escrita por: J.moreira, Ademir Loureiro (Gaúcho). ¿Los datos están equivocados? Avísanos.

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