
Mineiro Pau
Nelson Angelo
Onde eu passo minha faca
Eu não deixo cicatriz
Minha boca na calada da risada
Mas em vão de encruzilhada
Eu não meto meu nariz
Na segunda não fiz nada
E na terça eu nada fiz
Minha calma desalmada
Minha alma é penada
Mas meu corpo é feliz
Num desvio da estrada eu peguei um rumo
Um caminho qualquer
A pé, madrugada é
É noite alta, Lua alta derramando luz no chão
Minha espingarda pica pau mineiro
O pau é de caça passarinho
Minha espingarda pica pau mineiro
O pau é de caça passarinho
E tem um cano fininho
E tem o aço levinho
E dá um tiro pertinho
Faz um barulho baixinho
Meu cachorro perdigueiro é mateiro
É meu fiel companheiro
Meu cachorro perdigueiro é mateiro
É muito passarinheiro
Quem ensinou foi meu tio
Escuta meu assovio
Ele se amarra no pio
E atravessa rio
Olha a onça, ela quer me pegar
Olha a onça, ela quer me pegar
Mas não me pega não
Quem me ensinou a caçar
Pegava onça com a mão
Quem me ensinou a caçar
Pegava onça com a mão
Olha a sombra, ela quer me assombrar
Olha a sombra, ela quer me assombrar
Mas não assombra não
Eu aprendi a rezar
Na reza de assombração
Eu aprendi a rezar
Na reza de assombração
Oh, Lelê
Água de cima é chuva, oh lá, lá
Água do fundo é poço
Fui morto, hoje sou vivo
Fui velho, hoje sou moço




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