
O Brasil Não Cabe no Quintal de Ninguém
Newton Jayme
Ê
Brasil!
Brasil!
Brasil!
Pindorama
Latino-americano!
Em todo ser
Bate a vida
Pulsa o amor
A rua acordou
Tem cheiro de flor
De chuva
De terra
De sonho
De Sol e suor
Abre a janela
Chama o povo pra ver
O Brasil tem milhões
De vozes querendo viver!
Viver sem sofrer!
Nasci onde o rio escreve caminhos
Onde o sertão conversa com o mar
Onde a esperança planta girassóis
Mesmo quando a seca tenta sufocar
Judiar de nós!
Sou filho de Deus
Sou Vila Nova
Da roça
Do engenho
Do quilombo
Da roda
Da Igreja
Das matas
De Pirenópolis
De Jandaia
Das praças
Das mãos calejadas
Que sabem criar
E gingar
Carrego no peito
Uma pátria imensa
Que nenhum muro
Consegue cercar
Não sou sombra
De estrela estrangeira
Nem pedaço
Perdido no chão
Minha bandeira tem muitas cores
Mas bate e tremula gloriosa
No mesmo coração!
No mesmo coração!
Ô, meu Brasil, gira essa roda!
Gira essa roda!
Faz a tristeza virar carnaval!
Virar carnaval!
Tua grandeza não cabe em cercado
Nem no discurso de dono do quintal!
Ô, meu Brasil
Levanta a poeira!
Capoeira!
Sacode o medo, acende o clarão!
Quem tem raiz
Não se curva ao vento
Quem tem história
Não perde a direção!
Tem uma floresta
Cantando baixinho
Tem uma cidade
Querendo sonhar
Tem gente simples fazendo milagres
Com pouco dinheiro e muito prazer
Prazer de amar
Ê, Brasil!
Brasil! Brasil!
Do batuque negro
Nasceu nossa alma
Da aldeia veio o primeiro cantar
Mistura de mundos
Memória e futuro
Um povo gigante
Aprendendo a caminhar
Não somos moeda
Na mesa alheia
Nem fotografia
Na parede do poder
Somos a chama
Que atravessa o tempo
Somos a força de vencer
De permanecer
Se a tempestade tentar
Apagar a luz que nasceu
No nosso chão
Milhões de vozes viram trovão
Milhões de sonhos viram canção!
Ô, meu Brasil
Gira essa roda!
Deixa o povo cantar sua história!
Escrever sua vitória!
O Brasil não cabe
No quintal de ninguém
Porque carrega no peito
A própria memória!
A própria memória!
Ô, meu Brasil
Samba bonito!
Bate no couro
Espalha a verdade!
Um país que conhece suas raízes
Dança o futuro com dignidade!
Liberdade!
Liberdade!
Ê, Brasil!
Terra de gente
De luta e paixão!
O mapa é grande
Porém maior é o coração!
Maior é o coração!
Ê, Brasil!
Terra de gente
De luta e paixão!
O mapa é grande
Porém maior é o coração!
O Brasil não cabe
No quintal de ninguém!
O Brasil não cabe
No quintal de ninguém!
Porque a terra
Que guarda memória
Não se ajoelha
Diante do poder
O suor dos trabalhadores
É rio que ensina a florescer
O sangue dos brasileiros
É semente de libertação
É luta constante
É ressurreição!
Bate o tambor!
Ressoa a voz da multidão!
Da multidão!
Nenhuma corrente
Cala um povo em construção!
O Brasil é dos brasileiros!
É dos brasileiros!
O Brasil é do povo
Que sonha
Reza
Batalha
E renasce
Quantas vezes precisar!
Quantas vezes precisar!
O Brasil é dos brasileiros!
É dos brasileiros!
O Brasil é do povo
Que sonha
Reza
Batalha
E renasce
Quantas vezes precisar!
Quantas vezes precisar!
É preciso sempre amar!
Ê, Brasil!
Vambora, Brasil!
Vambora, Brasil!
Brasil!
Brasil!



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