Dengo Que Veio do Mar
Nubinelma Fernandes
Todo mundo gosta de um xote bem marcado
Mas, você sabe como surgiu o xote?
Veio da Europa em salão de nobreza
A Schottische tinha pose e riqueza
Mas quando chegou no calor do Nordeste
Ganhou o tempero do povo da peste
Perdeu o sapato, ficou no chinelo
E o Xote nasceu, faceiro e singelo
É o Xote, o abraço que o tempo guardou
A valsa do mundo que o povo abrasou
Dois pra lá, dois pra cá, sem pressa de ir
É a alma da gente aprendendo a sentir
No canto da sala, no escurinho do salão
O xote é o dengo de cada paixão
É o rosto colado, o suor que se espalha
A paz que se encontra no meio da batalha
Se o baião é a força que faz o chão tremer
O xote é o carinho que nos faz viver
É o ritmo doce que ensina a esperar
O tempo do abraço, o jeito de olhar
Na cadência macia de um fole a soprar
A gente se perde pra se encontrar
É a valsa da roça, o balanço do mar
Onde o coração aprende a morar
É o Xote, o abraço que o tempo guardou
A valsa do mundo que o povo abrasou
Dois pra lá, dois pra cá, sem pressa de ir
É a alma da gente aprendendo a sentir



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