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Ai dos Que Negociam o Altar

Oladir Pinheiro

Vestem terno caro e voz mansa no falar
Mas por trás do púlpito querem se exaltar
Trocam a verdade por aplausos e poder
Esquecem que um dia vão prestar contas ao rei

Prometem milagres por oferta no altar
Fazem do evangelho um meio de faturar
Mas a palavra é espada, não se pode corromper
Deus conhece o coração, ninguém pode o esconder

O fogo ainda desce, mas consome o que é palha
O senhor não divide sua glória com canalha

Ai dos que negociam o altar do senhor
Ai dos que transformam a graça em favor
O cajado é pra cuidar, não pra ferir a ovelha
O sangue do cordeiro não é moeda vermelha

O juiz está às portas, já se ouve a sua voz
Ele vem limpar a casa, ele vem julgar entre nós

Mas ainda há tempo pra se arrepender
Descer do pedestal e reconhecer
Que o reino é serviço, é cruz e renúncia
É joelho no chão, não palco de denúncia

Não é fama, não é ouro, não é posição
É temor verdadeiro ardendo no coração
Quem sobe sem chamado vai ter que descer
Porque o dono da igreja está pra aparecer!

Ai dos que feriram o rebanho do senhor
Ai dos que venderam a unção por valor
O cajado é pra guiar pelo vale e pelo monte
E a igreja pertence somente ao onipotente!


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