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Coágulo

Oneance

Com as unhas cravadas no súber arbóreo
A nudez de seu corpo reluz na bruma
Um punhal repousa no berço do ódio
E retorce a lesão que a úlcera espuma

No escuro, vestígio de um canto ao espírito
As folhas encontram no leito o seu fim
Os meus dedos laceram a pele ferida
Coágulo, a treva consome o carmim

Espera, no banho da cútis enferma
O pecado expurgar seu breu disfarçado
A mortalha do mundo acende a centelha
Na amargura vil do que jaz no passado

No âmago, um túmulo fendido e raso
Aguarda a fadiga de toda a revolta
A ânsia manifesta o seu epitáfio
A terra é o sepulcro da fé natimorta

Ouvem uma língua ignota
Deglutem a paz como hóstia
Mais numerosos que areia nos mares
Aves se saciam com suas carnes

Caminham em terreno embebido em sangue
Cólera serpeia em suas espinhas
Vivem entre bestas, nelas se consomem
Não há futuro a escapar da ruína

A crença pairante abranda
E solve toda a esperança
Erros são canonizados ao vento
Nós também somos o que nós perdemos

Abençoados sejam os ossos de meus inimigos
Eles não serão perdoados e não serão esquecidos


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