
PORTO ALEGRE MENINO
Luis H. Rocha
Ainda menino, ao chegar na capital
Descobri que a minha aldeia
Vivia ausente do mundo real
E nessa teia a vida mostrou-se brutal
Todo dia se abria inclemente
Sobre uma existência desigual
Uma verdade incoerente
Longe do conselho maternal
O livro tem de ser trocado
Pelo trabalho prolongado
O salário sempre tem faltado
Para um mês longo demais
E no tempo que resta
Se procura uma festa
Baile, batizado ou seresta
Pra se sentir abraçado
No peito uma procura mora
Encontro gente de outrora
No leito de cada porta aberta
Espalho minha alma deserta
Lá no Alto da Bronze
A liberdade é encontrada
Uma amável Felizarda
Guarida e abrigo me dá
Tanto lugar de beber e falar
A Esquina Maldita, o Cenário
O Van Gogh sem portas
O Ocidente e suas vidas tortas
A tradição do Pulperia
Do Pecados Mortais a ousadia
Bar i Bar no final do dia
E o Treviso não vai fechar
A tristeza sempre a tocar
Naquele Bar do Lupicínio
No mano a mano a dançar
No Fascinação, o fascínio
O Marquinhos, do Espeto de Ouro
Que a mesa por uma vida serviu
Um tesouro que ninguém esqueceu
Ninguém mesmo, muito menos eu
E assim a nossa capital
Que é minha cidade Natal
Ficou na doce lembrança
Herança do meu final



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