Aquelas Mãos
Tiago Perin
Aquelas mãos tão pequeninas delicadas
Tão agitadas ao surgir da manjedoura
Foram as mesmas que, mais tarde, calejadas
Já trabalhavam todo tipo de madeira
Mãos cujos dedos rabiscaram a areia
Como escrevendo uma lição sobre o perdão
Mãos bem abertas junto a figueira
Buscavam frutos mesmo fora de estação
Mãos que trouxeram vida onde havia morte
E expulsaram dos cativos todo mal
Mãos cujo o gesto era uma ordem
Para cessar a grande fúria desse mar
Aquelas mãos tocaram olhos e ouvidos
Trazendo novas formas, cores, novos sons
As mesmas mãos que arrebatavam os sentidos
Quando acenavam para aquela multidão
Mãos que erguidas para os céus rendiam graças
E espalmadas pelo chão, em oração
Suaram sangue naquela praça
Entrelaçadas expressavam compaixão
Benditas mãos que conheceram as feridas
Se contorceram ao provar terrível cruz
E ainda hoje estão estendidas aos pecadores
Cheias de graça
As mãos furadas de Jesus



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