
Melhor O Beijo Do Que A Cadeira Do Barbeiro
Valdiner Pereira
A noite cai na idade média, o frio de rachar
Dentro da boca uma tortura que faz chorar
Não tem dentista, não tem remédio pra aliviar
Só o barbeiro e o alicate pra arrancar
Corre pro estábulo antes do Sol nascer
Beija o burro nos lábios pro verme correr
Transfere a dor, deixa o bicho absorver
Cura mística que o povo tentava crer
Diz a lenda que o verme roía o dente por dentro
Cavando fundo, espalhando o sofrimento
Mas o sopro do jumento traz o bando da ilusão
Leve o meu tormento, oh criatura da criação
Corre pro estábulo antes do Sol nascer
Beija o burro nos lábios pro verme correr
Transfere a dor, deixa o bicho absorver
Cura mística que o povo tentava crer
Melhor o beijo do que a cadeira do barbeiro
Sem anestesia, o desespero é por inteiro
A superstição era o alívio do vilarejo
Misticismo germânico selado num beijo
Fica em paz, o verme sumiu no ar
Só o baixo do reggae pra acalmar



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