Os Ipês

Vauruvã

Sob folhas secas
Onde soterrara adormecido
Desperta às primeiras ameaças
De achar o que carece estar perdido

Não teme miséria nem frio
Como fazem os insípidos de espírito
Ao contrário, entrega-se
Inda que ermo, ao brio
Desse apego tão sadio
Pelo insólito, pelo tardio

Provindo das densas inspirações
Condutor ao íntimo
Do universo labiríntico
Pondo em curso caravanas de avejões
Ao passo em que incendeiam

Tantas vidas e fortalezas
Assombradas ambas por incertezas
E os sôfregos cânticos dos abantesmas

Os trazidos da oligarquia dos mundos
Para, unidos, enfim, em nulidade
Dormir também sob folhas secas
No berço de serena eternidade

Tão cara ao rosto dos oriundos
Dessa terra onde se embeber de saudade
É amanhecer colhendo as velhas perdas


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