
A Despedida do Poeta
Vento Motivo
Eu que buscava viver novamente
O início eloquente da história de amor
Poeta que sou inventei a ilusão
E soprei os meus versos em sua direção
Querendo abalar toda sua estrutura
Transformar sua história presente e futura
Inventei um amor que me desse prazer
E tivesse o sabor de uma nova aventura
E como quem escolhe um alvo
E quer apenas chama acesa
Apontei minha invenção em direção à sua beleza
Como um cientista louco
Experimentei de tudo um pouco
Que pudesse impressionar
Que pudesse causar surpresa
Eu já tinha muitos pecados
Ela só um namorado
Ela estava no seu canto
Eu estava do outro lado
Me encantava a gentileza
E o corpo de princesa
Era pela alma boa e era pela natureza
Aos poucos o que eu escrevia passava
A ser muito mais verdadeiro pra mim
Me vi construindo castelos nas terras
Mais férteis e justas dos deuses mais belos
Sem já me importar com a beleza
Sem já nem ligar pra aventura
Inventor, invenção
Criador, criação
Era a mesma criatura
Eu que inventei o amor
Como quem sugere uma aposta
Agora só sei escrever
Pensando no jeito que ela mais gosta
Meus dias são de solidão
Em frente a uma tela vazia
Esperando um sinal de fumaça
Esperando alguma resposta
Enquanto eu virava um amigo
Ela foi virando castigo
Eu já vivia por ela
Ela não estava comigo
E restou a agonia
Esta sim é tão sincera
Tão precisa quanto a pausa de um compasso de espera
Toda vez que eu inventei o amor
Eu criei a minha dor
Se é pra ter medo da vida
Eu peço aqui minha despedida
Se é pra ter medo, vida
Eu peço aqui minha despedida



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