Modão do Andante Livre
Vibrando Na Luz
Eu vi um homem na estrada
Com um violão e um olhar perdido
Não tinha casa nem nada
Mas tinha o mundo pra andar
Falava pouco, ria torto
Tomava o tempo na mão
Dizia: O certo é meio morto
Se não tiver coração
E eu perguntei qual era o rumo
Ele falou: Tanto faz
Se eu me perder no consumo
Eu não me encontro mais
E começou a cantar
Eu não vendo minha alma
Nem troco por ilusão
Prefiro a poeira da estrada
Do que viver de prisão
Se acham que eu sou maluco
Deixa acharem então
Que a lucidez desse mundo
Tá doente de razão
Carrego pouco na mala
Mas levo o que eu sou
Tem gente cheia de tudo
E vazia por dentro ficou
Não sigo placa nem moda
Nem verso pronto de lei
Minha verdade incomoda
Mas foi a única que eu achei
Se a vida é um jogo de carta marcada
Eu jogo fora o manual
Prefiro errar acordado e aprender
Do que acertar só pra ser igual
Eu não vendo minha alma
Nem troco por ilusão
Prefiro a poeira da estrada
Do que viver de prisão
Se acham que eu sou maluco
Deixa acharem então
Que a lucidez desse mundo
Tá doente de razão
E se um dia me encontrarem
Num canto qualquer por aí
Saibam: Eu só fui embora
Pra finalmente existir



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