Ô Maloca
Vibrando Na Luz
Se o cê não tá lembrado
Peço licença pra lembrá
Que onde ergueram vidro
Já tive tempo pra vivê
Era um teto torto
Um chão batido
Mas sobrava coração
Três amigos
Numa mesa
Valia mais que qualquer mansão
Mas um dia
Ah, nem gosto de falá!
Veio máquina e papel
Disseram que o progresso chegou
Mas pra mim
Eu parecia um réu
No banco do tribunal
Juntei os trapos na calçada
E fiquei ali
Sem voz
Cada nota que saía
Era um pedaço meu
Eu quis brigá
Um se escondeu
O outro falou
Calma, companheiro, Não vale a pena,
E a cara se foi
O amor não viu
Só que minha casa não era tábua
E nem tinha prego pra segurá
Casa é onde alguém te chama
Sem precisar pestanejá
Ô, maloca
Agora eu entendi
O que era casa
Na verdade
Era ôcês em mim
Ô maloca tão querida
Onde mora o amor
Não existe despedida
Hoje o mundo é mais ligeiro
Quase não dá pra sentí
Mas quem já dormiu no relento
Aprende a dividir
E se derrubarem teus abrigos
Não deixa teu peito virá chão
Quem carrega luz divina por dentro
Nunca fica sem morada não
Ô, maloca
Agora eu entendi
O que era casa
Na verdade
Era ôcês em mim
Ô maloca tão querida
Onde mora o amor
Não existe despedida
Dim, dim
Se a vida leva
O afeto reconstrói
Dim, dim
Quem tem lembrança acesa
Não vive só o depois



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