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Alma de Poço

Vinícius Brum

Madrugada mais lobuna, mateio desprevenido
Tenho andado mal dormido com paixões demais pra um
Os meus olhos tresnoitados se voltam mesmo pra dentro
A vida põe sal na boca e o mate não mata a sede

Querência fica distante mesmo andando dentro dela
Que me importa o Sol na cara se a alma não amanhece
Não quero sonhar de novo, renascer não vale a pena
Alegria pouco importa quando a vida anda pequena

Solidão bate no rancho, já me sabe mais covarde
Vou cultivando um silêncio que vai florescer na tarde

Ai, ai, ai, ai, ai, ai, ai, ai de mim
Corpo de moço, jeito de rio
Ai, ai, ai ai, ai, ai, ai, ai de mim
Alma de poço, peito vazio


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