
Chão Batido, Passo Firme
Vozes de Aruanda
Hum, hum
Hum, hum
Hum, hum
Ô minha fía
Ô meu fío
Chega mais perto da cadeira de vovó
Senta devagar
Encosta o coração cansado
Deixa o peso do mundo cair no chão de terra
Porque a terra sabe transformar
Dor em semente
Teu pranto que escorre não é fraqueza
É água viva regando a esperança
E da lágrima nasce flor, nasce fruto
Pra lembra que até no choro mora cura
Eu sei das tuas caminhadas difícil
Das pedra que feriram teus pés
Do silêncio que gritou na tua alma
Mas ouve bem, fío meu
Cada pedra pode virar altar
Cada ferida pode virar cicatriz de vitória
O tempo da dor é só passagem
É noite que anuncia o Sol
E vovó, com fé antiga e mão calejada
Vai soprando fumaça de erva
Vai rezando baixinho
Vai pedindo prós mais velhos curar
Tua alma de dentro pra fora
Escuta o tambor, fío meu
No rufar dele tá a batida do teu coração
Escuta o vento, fía minha
Ele leva embora o peso que tu não precisa
Levanta os olhos
Olha pro céu estrelado
Que nunca se apaga
Assim é tua força
Pode até se esconder atrás de nuvem escura
Mas sempre tá lá, brilhando
Vovó te diz, não caminha sozinho não
Atrás de ti vem a sombra dos ancestrais
Ao teu lado o guia de luz
E dentro de ti mora a chama que ninguém apaga
Vai fío, vai com coragem
Que a vida é chão, é estrada, é reza
E onde tu tropeçar
Vovó estará de joelho
Rezando, benzendo, te levantando
Porque tua dor já e cura
Tua fraqueza já é força
E teu destino é ser luz
No meio do mundo



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