
Alma Penada
Wélerson Recalcatti
No silêncio de um quarto escuro
Lembro do tempo que passou
Quando meu sangue ainda era puro
E o mundo não me amedrontou
No vazio de um banco de praça
Sozinho nesta escuridão
O ar que propaga a fumaça
De uma mente em decomposição
Nas lágrimas de uma alma ferida
Onde se vê uma cicatriz
Chega-se ao final da vida
Onde finalmente será feliz
Sonhos foram desfeitos
Pesadelos imorais
O cadáver cai no leito
Em discursos mortais
Vaga oh alma penada
Grita no imensidão
Pela fria madrugada
Buscando sua salvação
Nas páginas de um livro
Antigo quase decomposto
Ainda se lê um artigo
Datado de um fim de agosto
Está escrito o feitiço
Que ao romper do solstício
Estará exposto
No abraço do andarilho
No lamento do ancião
Quando o trem cruza o trilho
E a luz some na escuridão
Sonhos foram desfeitos
Pesadelos imorais
O cadáver cai no leito
Em discursos mortais
Vaga oh alma penada
Grita no imensidão
Pela fria madrugada
Buscando sua salvação



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