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O Sertão Tá Diferente

Abdias Alves

O sertão morre de sede
Ate um jarrinho na parede
Falta água pra molhar...

A cacimba não vigora
É a seca que lá mora
Fazendo o chão rachar...

Acabou-se a cantoria
Não tem mais aqueles dias
Que alegrava nossa gente...

Não ouço o canto de graúna
Já secou a baraúna
O sertão ta diferente...

Tenho motivos
Pra ir embora
Nuca mais olhar pra trás
Morre de sede
No sertão não morre mais
Nem ver a seca
Acabar com a plantação...

Mas a saudade
Em poucos dias
Em minha porta vai bater
Vou definhando
Até um dia morrer
Com tanta água
E engolindo a solidão...


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