Rincão São Miguel
Aládio Dullius
Na fazenda onde nasci
Ali mesmo fui criado
Na escolinha do interior
Eu fui matriculado
A filha do meu patrão
Estava ali
Toda linda do meu lado
Jurávamos de nos casar
E um do outro ser amado
Aprendi a lida campeira
Meu serviço era lidar com o gado
Um cachorro ovelheiro eu
Tinha por companheiro
E na hora do perigo
O cão chegava primeiro
Um dia saí buscar o cavalo
E o cachorro saiu na frente
Andando pelo capim
Uma coral nos esperava
Ao perceber o risco
O animal enfrentou a serpente
E para me defender
Acabou sendo mordido
Mesmo com todos os esforços para salvá-lo
O cão não sobreviveu
E tudo se esqueceu
Do meu tempo de guri
Hoje, muitos anos depois que parti
Voltando ao lugar onde eu nasci
Nem tapera existe mais
Nem cachorro, nem a mulher amada
O destino não quis que fôssemos feliz
E cada um seguiu a sua estrada
Só a poeira no chão
E o pé de mangueira
Estava ali, onde o nome dela eu escrevi
Só resta saudade do que não volta mais
Desta vida de gaúcho
Que o passado não esquece jamais
E tudo se esqueceu
Do meu tempo de guri
Hoje, muitos anos depois que parti
Voltando ao lugar onde eu nasci
Nem tapera existe mais
Nem cachorro, nem a mulher amada
O destino não quis que fôssemos feliz
E cada um seguiu a sua estrada
Só a poeira no chão
E o pé de mangueira
Estava ali, onde o nome dela eu escrevi
Só resta saudade do que não volta mais
Desta vida de gaúcho
Que o passado não esquece jamais



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