Menina Morena
Alanna Jardim
Eu sou a menina morena que anda na rua, só
E que se abriga na praça quando a chuva forte vem
Aquela que usa o vestido, presente da velha avó
E traz carregada na boca o amargo que a vida tem
Eu sou a menina insegura que dorme no papelão
A moça que sente vergonha na rua e no sinal
Aquela que foge em silêncio pesado no coração
Olhando a cidade tão cinza na vida de marginal
Mas se à margem da sociedade eu estou
Quem será um dia capaz de pensar
Que tive família, um povo e irmãos
Na terra sagrada, chamada de lar?
Até que um dia disseram a meu pai
Que o povo e o rio se podiam comprar
Que tudo na vida possui um valor
E o pior perigo é não aceitar
Eu sou a menina morena que anda na rua, só
Olhando as meninas bonitas que passam no calçadão
Que olha do lado de fora os livros e os cafés
Pois sempre através das vidraças recebe um sinal de não
A moça que não foi à escola, não sabe ler e escrever
Que vive agarrada naquilo que a avó chamava de fé
Sentindo, por vezes, a fome e o frio que à noite vem
Que sempre no dia seguinte retoma a marcha a pé
Quem sabe um dia eu entenda o porquê
Me olham com medo quando estendo a mão
Se eles soubessem que não faço mal
Se peço é porque cuido do meu irmão
Se sinto vergonha não me leve a mal
É que o meu sorriso não é como o seu
Pois eu aprendi que o mundo é mal
É o maior motivo do silêncio meu



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