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Ciborgue do Sertão (part. Tuto Ferraz, Fernanda Aimê e Todinei)

Amanda Magalhães

Iniciando Ciborgue do Sertão
Em três, dois, um

O ciborgue do sertão veio pra sanar a seca
Resolver a condição da humanidade no planeta
[?] a poluição, consertar a natureza
E toda a destruição que nós causamos, que beleza

Vai ciborgue do sertão, o primeiro em sua linha
Esperança da criança, [?]
Vai ciborgue do sertão, [?] e repagine
E nos mostre resultado, [?] imagine

Teve muito treinamento, teve muito investimento
Teve especulação
O que será do lazarento?
Ele tem autonomia, ele tem conhecimento
Ele tem sabedoria e vai saber tirar proveito
Foi pro mundo estudar
Ver o solo, ver o vento
Viu o ciclo do luar, observou o movimento
Viu a morte do oceano, genocídio Guarani
Não chovia mais de ano que chorassem [?]
Enfrentou tanta miséria, solitário na missão
Teve então uma ideia, o ciborgue do sertão

Mudou o seu linguajar, sua comunicação
Aprendeu como falar com os bichos do sertão
Eles percorreram o chão, o ciborgue e sua equipe
De Brasília ao Maranhão, de São Paulo a Sergipe
Ele desligou o chip, dormiu embaixo do céu
Aprendeu com o caboclo, irritou o coronel
Voltou muito encafifado, o homem branco era cruel

Foi então que a conclusão, muito clara no regresso
É que o homem só queria resultados sem processo
Pensa aqui, pensa de lá, como é que vão ficar
Os rios e a vegetação? Não se pode recriar
O ciborgue do sertão é o homem que impede
Ele é como uma bactéria, prolifera e nunca perde
Talvez dê pra explicar, talvez dê pra insistir
Que o esquema em que eles vivem tem que se reconstruir
Eles não vão escutar, já é ano de eleição
Vão querer terceirizar o fracasso da visão

Os bichos queriam o fim da era dos homens
Que só vivem de ilusão

Mas o homem me criou
Posso fazer isso não
Me fizeram carne e aço
E eu sinto essa emoção
Ô ciborgue do nordeste, esse vai ser seu velório
Partiu como um bom cabra da peste
Voltará como um bode expiatório

Mas ele acreditou na chance
Fez a oportunidade
Convocou uma assembleia
Foi simbora pra cidade
E chegando lá no centro
Deu o seu depoimento cheio de solenidade

Ouçam todos minha gente, vou contar a minha história
Era uma vez o amanhã de um povo sem memória
Que trocou a raiz por pressa, esqueceu a trajetória
E moveu o mundo inteiro por dinheiro, pela glória
Quer milagre sem caminho, quer colher sem semear
Eu sou só um artifício, nada fez o chão brotar (como assim?)
Eu sou a prova da mania, dessa megalomania
Com a tecnologia até tudo se esgotar
Muito menos é preciso pra viver
E faz consigo coisas simples e inúteis, não nos deixam enxergar

Peguem ele, prendam ele
E que sirva de lição
Falha na engenharia do ciborgue do sertão
Ciborgue
Ciborgue
Ciborgue

Seu destino já traçado apontava para a morte
Era o fim anunciado avançando a galope
E o ciborgue com tristeza, enxergou de forma plana
Tem por certo a natureza, não a natureza humana

Já se foi há muito tempo e a seca ainda maltrata
Quem que vai ouvir o vento?
Quem que luta pela mata?
Na floresta ainda vive quem reviste na peleja
As coisas seguem como são e o que tiver que ser, que seja
O ciborgue do sertão virou lenda sertaneja
Dizem que mora no trovão
Que ameaça e não goteja


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