
O Fado da Sereia
Amélia Muge
Serei, serei a sereia
A do pescoço doirado
Que no fio da sua voz
Te arrastava para o largo?
Serei, serei a donzela
Que em teu desejo aparecia
Sempre que à noite acordavas
Contra uma cama vazia?
Ai, ai, marujo, mareante
Porque te foste encerrar
Num barco à prova de encanto
Num barco à prova de mar?
Já das rotas me apagaste
E já o teu olhar não vê
Minha garganta nas rendas
Que me vestia a maré
Quem me tivera avisado
Que o amor de um marinheiro
É como os vícios do mar
É como o mar traiçoeiro
Que me deixavas trocada
Por mulheres que a terra dá
Mulheres de pernas cobertas
Por balões de tafetá
Ai tem, cautela, marinheiro
Que o mar é coisa ruim
E o amor de uma sereia
Não vai acabar-se assim
Que hás-de vir de novo à rede
De um amor que engana e mata
Que, à vista deste, outro amor
É cinza à vista da prata
Ai quem me dera que em vez
De filha do mar, me achasse
Rapariguinha solteira
Que nesse mar se afogasse
Ai quem me dera que em vez
De cantadeira do mar
Fosse eu mulher de viela
Para ainda me ouvires cantar.



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