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Com a Cabeça Nas Nuvens

Ana Moura


Com a cabeça nas nuvens
Passo a vida meia tonta
Sempre a pensar que tu vens
Num jogo de faz-de-conta

Atiro raios, trovejo
Das nuvens onde me crês
Se cá do alto te vejo
Porque é que tu não me vês?

Ainda perco o juízo
Solto o olhar, de águas, farto
Ou estilhaço com granizo
As vidraças do teu quarto

Então atiro-me ao espaço
Desço pela luz da Lua
Acordo-te num abraço
Dou-me de corpo e alma nua

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