Conselhos Antigos
Antônio Santos, O Compositor Do Sertão
Eu passava as tarde na porteira
Vendo a estrada sumi no estradão
Sonhando com o mundo lá fora
Com o mundo na palma da mão
Eu achava que o tempo era lento
Que o melhor ainda ia chegar
Foi quando um velho de chapéu
Olhou pro horizonte pra falá
Menino o mandacaru não floresce mais cedo
Só porque tem pressa da chuva
Um dia cê vai lembrá do inverno
Do café esfriando na mão
Da poeira na luz da janela
E dos plano no seu coração
Vai querer voltá por um segundo
Pro lugar onde você está
Você não percebe isso agora
Mas um dia vai querer voltá
Anos depois, com o bolso bem cheio
E o mesmo vazio no olhar
Eu dizia: Ainda falta arguma coisa
Como se a paz mudasse de lugar
Outro velho na sombra do alpendre
Sorriu sem sequer levantá
Olhou bem no fundo dos meus óio
E manso começou a falá
Nem toda sombra de juazeiro
Nasceu com vontade de tocá o céu
O tempo passa feito boiada
Levantando poeira do chão
Quando a gente vê, já foi longe
O que cabia na palma da mão
Hoje o anthony senta na varanda
Com pressa de crescê e partí
E eu escuto as mesma pergunta
Que um dia moraram em mim
Apontei pro terrêro vazio
Onde o vento brinca no chão
Olhei pro meu menino e disse
Segurando a sua mão
Filho a chuva não esquece a terra
Mesmo se demorar no caminho



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