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Trabalho Sujo

Astrikos Katoikos

Três invernos naquele portão
Desgaste severo na imaginação
Eu via tábuas caindo no chão
Mas só ouvi metal em fricção

Cheiro amargo de café queimado
Canivete gasto no meu casaco
Meu dedo treme, nem sei explicar
O peito esquece como respirar

Nem saiu daquela velha cadeira
Nem mudou a mancha sobre a madeira
Olhos gastos, sem qualquer clarão
Você cresceu, continua sem direção

Nem insultou, nem quis discutir
Nem teve força para reagir
Eu compreendi sem querer aceitar
Já não existia ninguém pra enfrentar

O ódio foi domado
O ódio foi esgarçado

Afiei o punhal e perdi a razão
Anos e anos na mesma prisão
Quem eu caçava já nem lembro
Vivi uma guerra íntima, um tormento!

Trabalho sujo, sem promoção
Pago em cansaço e decepção
Carrego o peso sem receber
Nenhum ódio paga pra viver

Calendário preso em outro ano
Gordura velha manchando minha roupa
Toda noite sem fechar os olhos
Virou poeira grudada na boca

Esperei o teto desabar
Esperei o remorso aparecer
Só o calendário congelado insistia
Em se reviver, em nunca perecer

Não teve queda
Nem teve glória
Muito menos confissão
E nem mesmo julgamento
Só duas vidas consumidas
Por um passado sem pagamento

Afiei o punhal e perdi a razão
Anos e anos na mesma prisão
Quem eu caçava já nem lembro
Vivi uma guerra íntima, um tormento!

Trabalho sujo, sem promoção
Pago em cansaço e decepção
Carrego o peso sem receber
Nenhum ódio paga pra viver


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